ALUMBRAMENTO
Por quatro anos a deixou tomar
a forma que, com ele vinha desde o berço, em outra forma, a mais adequada, foi
o que disse ela. A princípio não notou a transformação, maravilhado como estava,
quando percebeu a mudança já tinha se processado. Não poderia voltar, alterar o
passado modificar o presente. Isto porque, não era personagem de filme e muito
menos de novela.
Assim aprisionou o ódio na
palma do tempo. Recolheu os movimentos para dentro, fortaleceu a angústia e
revelou a melancolia em palavras de aço e veneno. A esperança de novos ventos
ficou armazenada em projetos futuros.
Quando deram por si, eram
dois estranhos num viver sem nenhum alumbramento, e os olhos verdes intensos
sorriram e os fios loiros do cabelo realçaram a beleza do rosto.
Não viu o escárnio nos lábios da morte.
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