segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Contos surrealistas 11

                             ALUMBRAMENTO

 

Por quatro anos a deixou tomar a forma que, com ele vinha desde o berço, em outra forma, a mais adequada, foi o que disse ela. A princípio não notou a transformação, maravilhado como estava, quando percebeu a mudança já tinha se processado. Não poderia voltar, alterar o passado modificar o presente. Isto porque, não era personagem de filme e muito menos de novela.   

Assim aprisionou o ódio na palma do tempo. Recolheu os movimentos para dentro, fortaleceu a angústia e revelou a melancolia em palavras de aço e veneno. A esperança de novos ventos ficou armazenada em projetos futuros.  

Quando deram por si, eram dois estranhos num viver sem nenhum alumbramento, e os olhos verdes intensos sorriram e os fios loiros do cabelo realçaram a beleza do rosto.

Não viu o escárnio nos lábios da morte.

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