domingo, 17 de outubro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.745(2021)

                         Não estava sozinho, não tinha nenhum copo a mão. Conversava com um grupo de jovens, alguns conhecidos outros nem tanto e alguns desconhecidos. Seus lábios se moviam articulando palavras que não eram ouvidas por mim, os olhos pretos passeavam de um rosto ao outro e pousavam em mim uma ora ou outra. O que me deixava excitado, fantasiando situações impossíveis de acontecer. Ele não desviava o olhar quando eu o olhava. Permaneciam fixos até que meio descontrolado e, para não provocar atitudes que viessem criar vexame, eu desviava os olhos para minutos depois, olhá-lo. Esse jogo começava a ficar cansativo e perigoso, principalmente se viesse ele conversar comigo. No entanto, não parecia ser motivo para preocupação da minha parte, seus gestos, os movimentos das mãos, da cabeça, e até mesmo do corpo, diziam-me que nada disso aconteceria, que me despreocupasse. O que pude comprovar em seguida. Ele tirou a camisa, vagarosamente se aproximou e pulou na água fria saindo do outro lado da piscina, subiu a escada e se dirigiu ao vestiário masculino sem olhar para mim. Evidentemente numa atitude que deduzi como: não se aproxime. Foi o que fiz, apesar que a razão estava quase sendo vencida pelo coração sufocando o excitamento. Instantes depois passou por mim e entrou na casa. Não me mexi, segui-o com o olhar para despois constatar que tinha ido embora.

            É isso... ou, não é?

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