quatro
horas e onze minutos da madrugada do dia dezessete de dezembro e eu querendo
fazer algo que não sei o que, e esses pernilongos me picando, o que devo fazer,
pergunto ao meu eu, e ele responde educadamente, se coça ou mata, mas como
disse a Monja Cohen, coitadinhos, eles são filhos de Deus, ok que sejam, mas
que coitadinhos o que, são um saco suas picadas, não sei para que servem,
servem só para aporrinhar mesmo com seus malditos ferrões, agora a pouco, antes
de começar esse dialogo com você, meu eu querido, vi uma publicação no
Instagram que mostrava um ambiente, talvez um quarto, com um colchão e uma
televisão no chão sem mais nada, simples, nada mais, e um texto mais ou menos
assim: “começo para uma vida para sua libertação e felicidade”, como não me
lembrava, procurei a postagem e não achei, gostei e concordo, me identifiquei,
mas no entanto o que adianta fisicamente essa transformação se espiritualmente
você ainda está no seu quarto antigo, ao seu super confortável quarto supérfluo
com penduricalhos inúteis e descartáveis, que adianta, preso a questões
sentimentais... não é, bem a madrugada foi proveitosa, vamos ver como será o
dia com essa chuva que não para mais, não é...
é
isso... ou, não é.
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