Sabe me parece que não tenho nada a lhe dizer. A ansiedade do que não tenho o que escrever, aumenta com a necessidade de que preciso escrever. Não parece, não e? Mas sou ansioso. Não é nada exagerado, mas sou. Isso atrapalha. Cria-se uma espécie de censor critico impedindo-me de escrever. Talvez deva adotar o método Limpar a Chaminé, do Doutro Breuer*. O que concordo com ele. Indo no ponto nevrálgico do problema, falando do que me aflige, curar-me-ei do que sinto. Doutor Breuer é um excelente médico, o único senão é quando começa a falar do seu paciente Nietzsche onde de paciente passa a ser doutor e o doutor vira paciente. É meio confuso, meio rebuscado. Já viu falar em filosofia que não seja confusa?
Bom, seu eu for adotar o procedimento de Limpar a Chaminé, quer dizer que tenho
que atacar o ponto central do problema. E aqui, qual é o ponto central que me
aflige. Não é o escrever, isto porque, tendo ou não o que escrever, já estou
escrevendo. E então o que será ou o que é? Vejamos... Não é falta de ideia.
Não. É só ficar na imobilidade das ações que elas surgem. E o que é então? Não
sei, sinceramente ainda não sei.
Venho participando de listas de discussão mais
de vinte anos. E durante todo esse tempo só conheci pessoas legais, usando uma
expressão nada condizente. Pessoas que muitas vezes me disseram me indicaram o
caminho a seguir, pessoas inteligentes... Aí está um ponto, vamos dizer
pertinente. Pessoas inteligentes. Não tenho nada contra elas, até aprecio uma
pessoa inteligente, admiro. A maioria tem um falar elegante, uma escrita que
prende, mesmo que seja o assunto mais banal possível. Você só tem de aprender
com uma pessoa inteligente. E já conheci várias.
O único senão é que essas pessoas, não a
maioria, mas algumas, não conseguem se colocar a altura. Parece que eles têm a
necessidade de estar um degrau acima, parece que se não mostrar sua
inteligência, sua intelectualidade, não estará satisfeito. É difícil para eles
se comportarem com humildade, se colocar no mesmo patamar com a pessoa com que
fala.
Trabalhava comigo uma pessoa, poeta também, que
era atencioso com todos, e todos o admiravam. Perguntei a ele o do porque desse
carisma que ele tinha. Ele me respondeu: tratos todos no mesmo nível. Se
converso com um faxineiro, me coloco na altura do faxineiro, não vou me
postar de intelectual com ele, não é ele que tem que se igualar a mim, sou eu
que tenho que me igualar a ele. Concordei e passei a admirá-lo mais ainda.
E a meu ver, acho que os inteligentes deveriam proceder da mesma maneira. Mas infelizmente, a maioria tem um rei na barriga e nem se abaixam para cagar.
*Personagem do romance Quando Nietzsche chorou, de Irvin D. Yalom
Nenhum comentário:
Postar um comentário