quarta-feira, 9 de março de 2022

Carta 13

1


Delaine bocejou abrindo a boca num bocejar a ponto dos olhos lacrimejarem.
- Eita, soneira.

- Pois é.

- Ainda são oito horas e já está com sono, menina?

- Quer um pouco?

- Eu não. Quando estou com sono ninguém quer, porque agora vou querer!
- Tá certo, disse ela pegando o copo de café.

- Pode deixar, mais tarde estarei na sua mesa oferecendo o meu sono.
- Chega o meu não quero mais.

- Falou, até mais, respondi acionando o botão Leite.

Segundos depois o display informava que meu leite já estava pronto. Ergui a tampa, e retirei o copo plástico com leite quente.

2

Ao abrir da porta do elevador, Delaine gritou:

- Vamos pessoal, corram...

Logo o elevador encheu. Dileine, na sua voz nervosa falando mais que Cantinflas, grande comediante mexicano, falou:

- Como seu cabelo está bonito?

- Escova.

- Onde você fez?

- Naquela bicha descendo a Augusta.

- Você teve coragem de ir lá?

- Não tinha tempo de procurar outro.

- A escova que ele fez deixou minha cara parecendo bruxa.
Um esgar de riso contido se fez ouvir sem que ninguém percebesse.

3

- Ei, moço, tudo bem?

- Tudo bem, moça.

- Já estou lendo o próximo e-mail que você vai mandar, disse Rosa.
- E como você sabe se nem eu sei ainda?

- Pelo modo como você está olhando.

- Olhando?

- É. A conversa das duas.

- Ah! Não estava nem prestando atenção se quer saber.

- Estava olhando como se estivesse.

- Não estava não.

- Mesmo assim acho que você vai escrever.

- Bom, posso escrever, mas não no momento, talvez no futuro.
- Falou. Bom almoço.

- Para você também, disse ao virar a direita e depois a esquerda na Frei Caneca.

Legal, já que pensam no que vou escrever é sinal de que estou sendo lido. Isso é bom, ou não é?

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