1
Delaine bocejou abrindo a boca num bocejar a ponto dos olhos lacrimejarem.
- Eita, soneira.
- Pois é.
- Ainda são oito horas e já está com sono,
menina?
- Quer um pouco?
- Eu não. Quando estou com sono ninguém quer,
porque agora vou querer!
- Tá certo, disse ela pegando o copo de café.
- Pode deixar, mais tarde estarei na sua mesa
oferecendo o meu sono.
- Chega o meu não quero mais.
- Falou, até mais, respondi acionando o botão
Leite.
Segundos depois o display informava que meu
leite já estava pronto. Ergui a tampa, e retirei o copo plástico com leite
quente.
2
Ao abrir da porta do elevador, Delaine gritou:
- Vamos pessoal, corram...
Logo o elevador encheu. Dileine, na sua voz
nervosa falando mais que Cantinflas, grande comediante mexicano, falou:
- Como seu cabelo está bonito?
- Escova.
- Onde você fez?
- Naquela bicha descendo a Augusta.
- Você teve coragem de ir lá?
- Não tinha tempo de procurar outro.
- A escova que ele fez deixou minha cara
parecendo bruxa.
Um esgar de riso contido se fez ouvir sem que ninguém percebesse.
3
- Ei, moço, tudo bem?
- Tudo bem, moça.
- Já estou lendo o próximo e-mail que você vai mandar,
disse Rosa.
- E como você sabe se nem eu sei ainda?
- Pelo modo como você está olhando.
- Olhando?
- É. A conversa das duas.
- Ah! Não estava nem prestando atenção se quer
saber.
- Estava olhando como se estivesse.
- Não estava não.
- Mesmo assim acho que você vai escrever.
- Bom, posso escrever, mas não no momento,
talvez no futuro.
- Falou. Bom almoço.
- Para você também, disse ao virar a direita e
depois a esquerda na Frei Caneca.
Legal, já que pensam no que vou escrever é sinal de que estou sendo lido. Isso é bom, ou não é?
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