quarta-feira, 16 de março de 2022

Carta 6


O dia como sempre amanhece meio sombrio, depois o sol tímido aparece, esquenta um pouco, talvez lá pelo meio do dia caia uma garoa fina, conforme o dia uma garoa mais forte, e com isso a temperatura abaixe. Talvez o dia passe corriqueiramente, ou passe, demoradamente para os mais angustiosos. Tudo depende do que na alma de cada um vai, não é mesmo?

Vamos passando no fio dos segundos compondo a rotina dos dias. Vamos pisando nas pedras conscientes de que possamos, distraídos, falsear o pé causando dor. Dor que podemos curar com um simples curativo, mas por algo desconhecido, desejamos e até alimentamos essa dor que, ilusoriamente creditamos como aprendizado.

Sabe, há uma angustia enferrujada emperrando os movimentos apesar, dos avanços em todos os sentidos. Parece que a geração atual, já nasce consciente da frustração engajadas no DNA dos pais, que por sua vez, trouxeram dos pais deles. Não há mais a explosão de entusiasmo no futuro. Tudo leva a crer que o futuro, presente e passado é uma coisa só. Os mais eufóricos dizem que não se faz mais dias como antigamente, que não se faz mais isso ou aquilo, no entanto, a culpa é deles mesmos, pois não veem que o tempo é só facção humana de sofrimento fracionando os gostos de cada um.

Tínhamos espaços, era verdade, tínhamos mais calma nas cidades, nas ruas, as casas não precisavam de grades, mas éramos prisioneiros dos sentimentos sociais, dos costumes moralistas aferrolhando nossos movimentos. Hoje continuamos presos, mas livres de sociais sentimentos sem nos preocuparmos com moralismos apodrecidos. Não me perguntem qual era o melhor, ontem ou hoje. Posso dar uma resposta evasiva, sem muitas explicações dizendo, que o momento é o melhor, mesmo que ele já seja passado. Só posso dizer que antes, os acontecimentos eram somente nossos, hoje os acontecimentos são de todos, é do mundo. O que acontece aqui influencia o mundo, o que acontece no mundo influencia aqui.

Como disse, não procure me entender, procure me ler.

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