Sabe, não sei se sabe, não sei se consegue perceber ou notar a ferrugem da angústia invadindo os porões da alma. Consegue? Sabe que isso me deixa com uma afronta inusitada facilitando a desafiar tudo o que pela frente encontro? Sabia? Não sabia! Conheço-te, quer dizer penso te conhecer. Uma coisa é preciso lhe dizer: não estou nem aí para isso ou para aquilo, dizendo no bom jargão: estou cagando, entende? No entanto há uma espécie de euforia triste que me deixa imóvel. Isto é, quero e acho que devo me mover, mas não quero, entende? Não, claro que não entende. Não entende por que nunca está ao meu lado, nunca compartilha dos meus anseios, dos meus ódios, das minhas depressões, das minhas angústias que me obrigam a escrever, dos prazeres que encontro só de pensar em suicídio, como vai querer me entender. Os fracos permanecem na sombra dos gênios até o momento que se suicidam. Só assim terão seus cincos minutos de fama.
Sabe, não sei se
sabe, mas nunca procurei ou, plagiando os filósofos, sempre quis essa audácia
suicida me alimentando. Será? Desconheço meu lado masoquista. Conheço meu lado
comodista, meu lado covarde, meu lado desconhecido de mim mesmo. Sinceramente
não há uma previsão para que esse desconhecimento seja eliminado e, nem deve
ser eliminado, sei que seguirei todos os percalços da minha vida por longos,
longos, longos anos. Longos anos! Reparou que esse termo longo se tornou curto?
Tudo o que fazemos nos parece curto. Já não esquecemos o que fizemos no natal
do ano passado. Antigamente, não conseguíamos lembrar nem do que fora feito um
minuto atrás! Aliás, que esse minuto atrás já é passado, compreende?
Sabe, não sei se
sabe, mas venho estudando o do porquê existe esse cansaço descomunal que
abrange toda a razão. Sabe, esse cansaço transmite-se em todos os sentidos,
trespassa o conhecimento de até acreditar em sua existência. Nos cartazes
estampados nas faces iluminadas de sombras, nos passos juvenis acelerados no
caos urbano da velhice, nos corpos dolentes de suas formas expondo beleza crua
e nua de suas carnes diluídas, nos textos poéticos panfletários exorcista
fingidor de sentimento, no sorriso alegre de um triste palhaço combalido pela
fome de agradar e ser vencedor há esse cansaço de ter o que se imagina e não
temos.
Sabe, não sei se sabe, paro por aqui para não prolongar demais essas fúteis questões, alimento de filósofos, que leigos, lutadores da sobrevivência, procuram não entender e, com isso elevarem um pouco mais sua cultura, e, de repente desponta uma pergunta crucial: MAS PARA QUE CULTURA?
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