segunda-feira, 11 de abril de 2022

Nirvana

                                                                            

Na amargura das pedras, o suor dos corpos presos ao ar quente e sufocado, solicitou que ele fizesse mais esforço que, com isso, tornou intenso o descômodo que sentia.

Não se digladiou com palavras fortes ou obscenas, aceitou o desconforto seguindo o caminho que, previsto, lhe daria a oportunidade de ser ou mesmo, de encontrar-se consigo próprio.

Assim, conduzia os passos seguros e decididos, ora pisando nas pedras que rolavam precipício abaixo, ora lhe davam apoio necessário aumentando a confiança em si mesmo.

Essa confiança adquirida à dura pena, integrou-o ao ambiente em que vivia, solidificou sua participação integra e congênita de ser ele mesmo e não o que desejavam o que dele queriam que fosse.

Não cantou vitória, mesmo porque ainda não era o momento certo a se vangloriar dos feitos, tudo bem, pequenos, mas com a precisão certa e emocional que lhe fora dirigida.

Emoção que transbordou em delírios carnais degustando naco por naco, recolhendo o sumo principal para seu alimento dia após dia, sem justificativa alguma de que deveria fazer o preparo de seu alimento.

Olhando pela janela dos óculos, divisou, não só o alimento, como divisou o além se estendendo por campos imensos de trigo e milho e arroz e feijão.

Mais uma vez ouviu a voz, não da razão, mas a voz do coração abriu os braços, recebeu o vento quente do meio dia e, deitou-se na imensidão verde dos sonhos levando-o ao nirvana do corpo sentindo o corpo em si mesmo.

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