Até entendia o que lhe faltava, mas precisava de estimulo, de motivos
contundentes para que o entender fosse o que deveria ser. Espancava o cérebro
com palavras desastrosas a indicar o caminho correto. No entanto, na sua visão
de poeta amador, seguia caminho diferente, onde a timidez se tornava mais
patente, mais crucial tolhendo os movimentos. Sofria, e como sofria ao sentir
as ações reprimidas inconscientemente. Lutava contra isso, porém era luta
sofrível, não avançava, permanecia sempre no mesmo lugar. O corpo seguia os
limites da existência física deslumbrando olhos femininos sexualmente. Reprimia
a curiosidade no escuro do aposento satisfazendo as fibras excitadas.
Não desprezava as
probabilidades, olhava uma por uma na delicadeza da rotina sem perder os detalhes,
confiscando os meandros das linhas escuras ou claras dos edifícios, ruas,
esquinas, praças da vida humana. Aberto as experiências em todos os sentidos,
trafegava na linha do improvável confiando no resultado. O que nem sempre
satisfazia o pensamento físico e nem o corpo intelectual. Caia em pequenas
depressões sentimentais. Às vezes ficava semanas na deriva da calmaria
deixando-se levar pela brisa do negativismo. Escorado no processo criativo de
sobrevivente, colocava um pé a frente do outro cauteloso, sem temer onde
pisava. Decidido prosseguia subindo o andaime firme da sabedoria.
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