Bem, vamos a
mais uma edição do diário imbecil.
E o que poderei dessa vez escrever? Ou talvez seja o
fato de perguntar aos leitores o que gostariam de ler ou, sobre o que deveria
escrever?
Há tanta coisa entre a terra e o mar que nenhum tsunami
pode imaginar o perigo que corremos, não é mesmo? Mas isso quem tem que se
preocupar é os moradores dos grandes edifícios a beira mar, os que têm suas
praias particulares com seus iates fenomenais, não é mesmo? E não nós que
moramos no alto da serra em nossos casebres sonhando com uma pequena piscina
ou, com uma pequena horta onde poderíamos criar nossos porcos, galinhas e
hortaliças para o sustento nosso de cada dia. Porém, essa prática passou a ser
anti-higiênica por causa do espaço, do aglomerado de indivíduos num mesmo
local, e além do mais, não temos tempo nem para cagar quanto mais criar isso ou
aquilo.
O nosso precioso tempo é preenchido com os fins de
semanas burgueses em companhia dos amados familiares, em ônibus apertado, metrô
abarrotado, escravidão pelo sustento, alimentar a ignorância em frente da televisão,
querer ser mais que o outro, ter o carro último tipo, preocupações fúteis
levando-nos a se suicidar sem ao menos viver como deveríamos.
O nosso precioso tempo é preenchido em como eliminar o
estresse, não comer demais para não ficarmos balofos, recorrer à estética
cultural e visual da beleza do corpo, caçar sexualmente para não sermos taxado
disso ou daquilo, encher a cara nos últimos bares da madrugada para não ter a
solidão como companheira, sermos prisioneiros em nossa própria casa e fazer do
celular um aparelho de busca às vezes desnecessária e irritante.
Pensamentos que surgem no balançar das folhas entre o
concreto frio da morte aprisionando-nos infalivelmente ao destino incerto e
inexorável.
Será que temos o que queremos? Por que há um vazio que
nunca se completa? Será que é para impulsionarmos a ir cada vez mais adiante?
Talvez, quem poderá dizer! Nossos próprios passos em vielas desconhecidas da
alma carregada de desamor, aflição e magoa? Nossos atos descontrolados pisando
nas conseqüências sem importarmos em magoar amigos e parentes?
Há um cheiro
podre de estética falida que corrompe os sentidos da razão impregnando os muros
da sociedade em luxo descartável. O pior é que fazemos parte dessa estética
podre a qual ajudamos a afundar cada vez mais. Talvez, por isso o vazio que
nunca se completa, cada vez maior como um nada cheio de nada.
Palmilho no lodaçal anônimo infringindo prazeres que me
farão cair no abismo delicioso num sentir único. Não posso compartilhar o
sentir, pois cada sentir tem seus caracteres próprios, tem seus DNA
específicos. Por mais que eu venha teorizá-los nunca serão entendidos como eu
senti. Serão mecanicamente reproduzidos sem o conteúdo especifico que me
fizeram sentir a sua totalidade.
E assim será até o próximo diário imbecil.
Estamos combinados?
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