domingo, 24 de março de 2024

Diário imbecil 20.09.07

 

Bem, vamos a mais uma edição do diário imbecil.

E o que poderei dessa vez escrever? Ou talvez seja o fato de perguntar aos leitores o que gostariam de ler ou, sobre o que deveria escrever?

Há tanta coisa entre a terra e o mar que nenhum tsunami pode imaginar o perigo que corremos, não é mesmo? Mas isso quem tem que se preocupar é os moradores dos grandes edifícios a beira mar, os que têm suas praias particulares com seus iates fenomenais, não é mesmo? E não nós que moramos no alto da serra em nossos casebres sonhando com uma pequena piscina ou, com uma pequena horta onde poderíamos criar nossos porcos, galinhas e hortaliças para o sustento nosso de cada dia. Porém, essa prática passou a ser anti-higiênica por causa do espaço, do aglomerado de indivíduos num mesmo local, e além do mais, não temos tempo nem para cagar quanto mais criar isso ou aquilo.

O nosso precioso tempo é preenchido com os fins de semanas burgueses em companhia dos amados familiares, em ônibus apertado, metrô abarrotado, escravidão pelo sustento, alimentar a ignorância em frente da televisão, querer ser mais que o outro, ter o carro último tipo, preocupações fúteis levando-nos a se suicidar sem ao menos viver como deveríamos.

O nosso precioso tempo é preenchido em como eliminar o estresse, não comer demais para não ficarmos balofos, recorrer à estética cultural e visual da beleza do corpo, caçar sexualmente para não sermos taxado disso ou daquilo, encher a cara nos últimos bares da madrugada para não ter a solidão como companheira, sermos prisioneiros em nossa própria casa e fazer do celular um aparelho de busca às vezes desnecessária e irritante.

Pensamentos que surgem no balançar das folhas entre o concreto frio da morte aprisionando-nos infalivelmente ao destino incerto e inexorável.

Será que temos o que queremos? Por que há um vazio que nunca se completa? Será que é para impulsionarmos a ir cada vez mais adiante? Talvez, quem poderá dizer! Nossos próprios passos em vielas desconhecidas da alma carregada de desamor, aflição e magoa? Nossos atos descontrolados pisando nas conseqüências sem importarmos em magoar amigos e parentes?
Há um cheiro podre de estética falida que corrompe os sentidos da razão impregnando os muros da sociedade em luxo descartável. O pior é que fazemos parte dessa estética podre a qual ajudamos a afundar cada vez mais. Talvez, por isso o vazio que nunca se completa, cada vez maior como um nada cheio de nada.

Palmilho no lodaçal anônimo infringindo prazeres que me farão cair no abismo delicioso num sentir único. Não posso compartilhar o sentir, pois cada sentir tem seus caracteres próprios, tem seus DNA específicos. Por mais que eu venha teorizá-los nunca serão entendidos como eu senti. Serão mecanicamente reproduzidos sem o conteúdo especifico que me fizeram sentir a sua totalidade.

E assim será até o próximo diário imbecil.

Estamos combinados?

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