Manhã de sexta-feira sombria, ameaçando chuva, garoa, vento para uma primavera em desequilíbrio que nada promete. Vamos ver do meio-dia para frente se essa situação mudará. Esperamos que sim.
E nesta penumbra onde o cinza do céu se torna mais premente é que dou
iniciou a mais um diário imbecil. Diário que não sei se está agradando, se está
sendo lido pelos meus leitores queridos, que dizem ler tudo o que escrevo, não
sei. E como poderei saber se não tenho um retorno, se não há um evidencia de
leitura. Sei do nosso tempo exíguo, o trabalho em primeiro lugar, e etc. e tal
e tal etc.
A meu ver, na minha parca experiência como escritor, acho que nenhuma
obra seja escrita, visual, performática, ou sei lá o que, deve ser explicada,
principalmente a poesia. Você quer ver um escritor chateado é perguntar para
ele o que ele quis dizer com determinada obra que ele escreveu. Principalmente
se for uma obra aberta que dê margem a várias interpretações. Não se deve
perguntar nada, o que se deve fazer é entender o que foi lido.
E todo escritor gosta da participação
do leitor, gosta de inter agir com o leitor, se assim não fosse não teríamos
obras criativas, significativas que chegaram a mudar o panorama literário,
criando escolas e técnicas diferentes. O problema é que o brasileiro não tem
formação acadêmica que dê a ele a bagagem necessária de se embrenhar no desconhecido
caminho que só os intelectuais, poucos por sinal, conseguem. É uma pena, pois
essas obras ficam confinadas apenas a pequenos grupos de leitores capacitados
literariamente falando.
Se eu perguntar aqui quem já ouviu
pelo menos falar, não vamos dizer ler, AVALOVARA, de Osman Lins – espero
não ter me enganado com o nome do autor – garanto que pouquíssimo responderão
que conhece. Outro que acredito poucos os que conhecem: ZERO, de Ignácio
Loyla Brandão, livro que como o anterior ganhou prêmios, e até hoje não tem uma
abrangência entre os leitores. Outro que poucos o conhecem, mas só que esse é
mais plano, o que faz dele diferente dos outros dois, é a técnica, é o discurso
narrativo e não a forma em si: UM COPO DE CÓLERA, de Raduan Nasser. São
livros importantes para quem tem a ânsia de conhecimento literário, para quem
deseja escrever, tornar-se escritor. Esses não são os únicos livros que devem
constar de uma estante, há outros e muitos outros, os clássicos antigos, os
clássicos modernos, e os clássicos que surgem e quase sempre não ficamos
sabendo.
Bom pelo jeito o tempo daqui para frente, são treze horas e um minuto,
não vai mudar mesmo. Tudo indica que continuará com a temperatura cinzenta,
ameaçando garoa, agora pouco cai uns pingos grossos, mas o calor continua o que
é bom.
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