sábado, 23 de março de 2024

Diário imbecil 21.09.07

Manhã de sexta-feira sombria, ameaçando chuva, garoa, vento para uma primavera em desequilíbrio que nada promete. Vamos ver do meio-dia para frente se essa situação mudará. Esperamos que sim.

E nesta penumbra onde o cinza do céu se torna mais premente é que dou iniciou a mais um diário imbecil. Diário que não sei se está agradando, se está sendo lido pelos meus leitores queridos, que dizem ler tudo o que escrevo, não sei. E como poderei saber se não tenho um retorno, se não há um evidencia de leitura. Sei do nosso tempo exíguo, o trabalho em primeiro lugar, e etc. e tal e tal etc.

A meu ver, na minha parca experiência como escritor, acho que nenhuma obra seja escrita, visual, performática, ou sei lá o que, deve ser explicada, principalmente a poesia. Você quer ver um escritor chateado é perguntar para ele o que ele quis dizer com determinada obra que ele escreveu. Principalmente se for uma obra aberta que dê margem a várias interpretações. Não se deve perguntar nada, o que se deve fazer é entender o que foi lido.
E todo escritor gosta da participação do leitor, gosta de inter agir com o leitor, se assim não fosse não teríamos obras criativas, significativas que chegaram a mudar o panorama literário, criando escolas e técnicas diferentes. O problema é que o brasileiro não tem formação acadêmica que dê a ele a bagagem necessária de se embrenhar no desconhecido caminho que só os intelectuais, poucos por sinal, conseguem. É uma pena, pois essas obras ficam confinadas apenas a pequenos grupos de leitores capacitados literariamente falando.
Se eu perguntar aqui quem já ouviu pelo menos falar, não vamos dizer ler, AVALOVARA, de Osman Lins – espero não ter me enganado com o nome do autor – garanto que pouquíssimo responderão que conhece. Outro que acredito poucos os que conhecem: ZERO, de Ignácio Loyla Brandão, livro que como o anterior ganhou prêmios, e até hoje não tem uma abrangência entre os leitores. Outro que poucos o conhecem, mas só que esse é mais plano, o que faz dele diferente dos outros dois, é a técnica, é o discurso narrativo e não a forma em si: UM COPO DE CÓLERA, de Raduan Nasser. São livros importantes para quem tem a ânsia de conhecimento literário, para quem deseja escrever, tornar-se escritor. Esses não são os únicos livros que devem constar de uma estante, há outros e muitos outros, os clássicos antigos, os clássicos modernos, e os clássicos que surgem e quase sempre não ficamos sabendo.

Bom pelo jeito o tempo daqui para frente, são treze horas e um minuto, não vai mudar mesmo. Tudo indica que continuará com a temperatura cinzenta, ameaçando garoa, agora pouco cai uns pingos grossos, mas o calor continua o que é bom.

Bem, como ninguém se manifestou um tema para que eu possa discorrer, no próximo diário imbecil, falarei sobre merda. Isso mesmo, merda. Tudo bem? Então até o próximo diário imbecil e um bom fim de semana imbecil para todos.


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