domingo, 14 de julho de 2024

Ta bravo?

  

Toda vez que cruzava comigo, perguntava:

- E aí, ta bravo?

Ou quando passava por ele, ou se por casualidade nos encontrássemos na máquina de café, lá vinha a pergunta:

- E aí, ta bravo?

E hoje me vendo de longe, não deixou por menos:

- E ai, ta bravo?

Não dei pelota, não respondi, continue na minha. Não contente chegou até a mesa:

- E aí, ta bravo?

Não respondi. Insistiu:

- Não vai me responder? Ta bravo?

Então respondi:

- O que você tem com isso? É da sua conta se estou ou não bravo? Cuide do seu serviço e não me enche o saco.

- Ta bom, malcriado, ta bom, respondeu dirigindo à sua mesa.

Depois disso ele não mais se dirigiu a mim, durante o dia todo. A principio fiquei com remorso por ter falado dessa maneira com ele, apesar de tudo é uma boa pessoa, é que percebi que eu estava errado, e por saber que ele me fazendo constantemente a pergunta estava me irritando, e eu cai na dele, me irritei. Por outro lado, não estava realmente bravo, apenas pensativo, meio que chateado com o que não sabia, quer dizer, posso até saber, mas não quero aceitar ou não tenho coragem em dizer o que é, e de mais a mias, as pessoas confundem o silencio da fisionomia com a carranca de bravo. Tenho o direito a ficar bravo com uma única pessoa somente: comigo mesmo, pois foram meus gestos, ações, idéias que me trouxeram onde estou me trouxeram aqui para cumprir meu Karma. E como sempre digo: não me arrependo do que fiz me arrependo daquilo que não fiz ainda.

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