Toda vez que cruzava comigo,
perguntava:
- E aí, ta bravo?
Ou quando passava por ele, ou se
por casualidade nos encontrássemos na máquina de café, lá vinha a pergunta:
- E aí, ta bravo?
E hoje me vendo de longe, não
deixou por menos:
- E ai, ta bravo?
Não dei pelota, não respondi,
continue na minha. Não contente chegou até a mesa:
- E aí, ta bravo?
Não respondi. Insistiu:
- Não vai me responder? Ta bravo?
Então respondi:
- O que você tem com isso? É da
sua conta se estou ou não bravo? Cuide do seu serviço e não me enche o saco.
- Ta bom, malcriado, ta bom,
respondeu dirigindo à sua mesa.
Depois disso ele não mais se
dirigiu a mim, durante o dia todo. A principio fiquei com remorso por ter
falado dessa maneira com ele, apesar de tudo é uma boa pessoa, é que percebi
que eu estava errado, e por saber que ele me fazendo constantemente a pergunta
estava me irritando, e eu cai na dele, me irritei. Por outro lado, não estava
realmente bravo, apenas pensativo, meio que chateado com o que não sabia, quer
dizer, posso até saber, mas não quero aceitar ou não tenho coragem em dizer o
que é, e de mais a mias, as pessoas confundem o silencio da fisionomia com a carranca
de bravo. Tenho o direito a ficar bravo com uma única pessoa somente: comigo
mesmo, pois foram meus gestos, ações, idéias que me trouxeram onde estou me
trouxeram aqui para cumprir meu Karma. E como sempre digo: não me arrependo do
que fiz me arrependo daquilo que não fiz ainda.
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