O asfalto brilha o sol amarelo no
toldo da lanchonete
Do outro lado da rua, a
escavadeira molda o terreno seguindo pré-determinadas ordens
A vida trepida suas moléculas de
beleza nua na tarde de sexta-feira
Da lanchonete aprecio o alquímico
vir e ir de situações momentâneas ao comando da vida
Inserido nessa alquimia, componho
a grandeza de ser eu mesmo, constante em busca de ser eu e nada mais
O vento movimenta partículas
invisíveis, arrasta a folha seca que desaparece do meu campo de visão
Da lanchonete olhares se cruzam
despreocupados de suas individualidades mortas
Arrisco uma frase de efeito no
poema alcoólico ferindo o conteúdo e desprezando a forma
Feito isso, assino o poema, peço
a conta, pago e me ponho a caminhar nesse sol que brilha no asfalto o amarelo
do toldo da lanchonete
Nenhum comentário:
Postar um comentário