quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Lanchonete

  

O asfalto brilha o sol amarelo no toldo da lanchonete

Do outro lado da rua, a escavadeira molda o terreno seguindo pré-determinadas ordens

A vida trepida suas moléculas de beleza nua na tarde de sexta-feira

Da lanchonete aprecio o alquímico vir e ir de situações momentâneas ao comando da vida

Inserido nessa alquimia, componho a grandeza de ser eu mesmo, constante em busca de ser eu e nada mais

O vento movimenta partículas invisíveis, arrasta a folha seca que desaparece do meu campo de visão

Da lanchonete olhares se cruzam despreocupados de suas individualidades mortas

Arrisco uma frase de efeito no poema alcoólico ferindo o conteúdo e desprezando a forma

Feito isso, assino o poema, peço a conta, pago e me ponho a caminhar nesse sol que brilha no asfalto o amarelo do toldo da lanchonete

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