– o gato que apareceu lá em casa e não quer mais sair.
Acordei hoje com o miado do Folgado, como o chamo. Isto é, não dormi muito
bem, às quatro da madrugada, sobressaltado não sei com o que, levantei, tomei
um gole de água e voltei para a cama. As cinco e quinze, novamente, não sei com
que barulho, fui despertado. E às seis horas justamente no momento que o rádio
relógio começou com o seu bip bip insuportável, o gato adivinhando, acho,
começou com o seu miado. Levantei, coloquei comida e água e abri a porta. Como
um furacão entrou e foi direto para o prato, comeu toda a ração que eu tinha
colocado e por quase uns cinco minutos ficou bebendo água.
Parece que agora perdeu aquele ar de medo. Está mais solto, parece que
pegou o gosto pelas brincadeiras, corre de um lado para o outro; antes não, só
queria ficar deitado e, se fosse no colo da gente melhor.
A veterinária disse que ele tem um ano e meio de idade, aplicou uma vacina,
tirou a coleira antipulga que só estava machucando o seu pescoço deixando seu
pelo marcado.
O Folgado já está precisando levar umas palmadas e uns puxões de orelha,
pois, outro dia fui encontrar ele subindo no encosto do sofá e tentando entrar
entre a parede e a estante, um lugar apertado, cheio de fios de telefone,
televisão, do aparelho de som, do micro, se entrasse ali ficaria embolado nos fios
desligando tudo ou causando maiores estragos.
Da outra vez foi pego em cima da mesa lambendo uma banana meio estragada
que ficara na fruteira, além de ser pego bebendo água do vaso sanitário.
Uma noite, assim que sentei ao micro, ele veio e deitou no sofá. Dali a
pouco começou a se lamber. Como o bicho se retorceu inteiro, se lambeu das
patas a cabeça e de vez enquanto dava umas mordidas nele mesmo. Terminado a
lambição, se aninhou perto da almofada e dormiu um bom tempo.
Às vezes fico pensando, como seria se os seres humanos, essa caterva
egoísta e individualista e gananciosa, fosse como os bichos, vivessem por
instintos. Como seria? Bom, não adianta ficar pensando que nunca terei a
resposta.
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