Uma das coisas mais chatas é o
telefone. Cada vez que toca é um susto. É uma pergunta que explode no ar da
consciência interrompendo o fio do pensamento ou do que você está fazendo. É
uma droga! E se for depois das dez ou onze horas da noite, então o susto é
maior. O primeiro pensamento que vêm à mente é de que algo aconteceu. Pensamos
sempre o pior. Algum falecimento, um atropelamento, alguém foi hospitalizado, é
uma merda!
Hoje ao encostar o crachá para
liberar a porta de vidro, nem bem cheguei a minha mesa, o telefone tocou. Seu
tilintar varreu o silêncio de espaço ferindo os ouvidos dos móveis silenciosos.
Não me importei, nem procurei saber de que mesa era. Deu uns quatro toques
ficando mudo por uns poucos segundos. Enquanto fui tomar água que, como sempre,
estupidamente gelada, o telefone voltou a berrar estridente anunciando que algo
tinha acontecido.
Apurei o ouvido. Acabei
descobrindo, era o telefone do Carlão. Acho que os telefones ao invés da
horrenda campainha deveriam ter uma voz que berrasse o nome de quem pertencesse
o ramal. Não acha?
Então pensei: o Carlão está
grávido deve ter ido ao hospital levar a esposa ou aconteceu alguma outra coisa
com ele. Portanto, assim que o telefone tocou novamente atendi:
- Sim!
- Osvaldo?
- Sim!
- Por favor, aqui é o Carlão...
- Fala Carlão, tudo bem?
- Sim, tudo bem, avisa o Reinaldo
que vou chegar um pouco mais tarde. Meu carro quebrou, vou procurar um
mecânico.
- Está bem, Carlão, pode deixar
que aviso.
- Obrigado.
- De nada.
Desligamos.
Voltei aos meus afazeres
pensando: “Bom, acho que encontrei o que dizer no meu bom dia de amanhã.”
Dei um clique em salvar, Fechei o
Word e me enfurnei nas micros fichas intercalando entre uma e outra, o papel de
seda para que as ditas não grudem. Eita! Serviço de prisioneiro... Bem o que eu
sou? Prisioneiro da minha sobrevivência.
Que droga... Não, droga não...
Então o que? Não sei... Sei que é isso... Tudo acontece porque tem que
acontecer... Talvez... Sei lá.
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