Nem bem tinha levantado ouviu o
miado do gato na porta da cozinha. Não se preocupou. O danado estava é querendo
entrar. Tomou café, se vestiu, depois é que foi dar comida, trocar a água e o
leite, enquanto o gato se enroscava nas suas pernas. Mesmo assim continuava
miando. Queria era entrar na casa e se esparramar bem gostoso no sofá. Não
deixou, obrigou que ficasse no quintal. Pegou a mochila a tiracolo e saiu. Na
rua o vento batia frio em seu corpo. Um vento úmido gelado. Pensou: deveria ter
pegado uma blusa, mas não tinha uma para essas eventualidades. Ficou encostado
ao poste desejando que a condução chegasse logo. Não precisou esperar muito,
logo chegou o ônibus. Subiu e procurou ficar no fundão onde seria mais provável
que alguém levantasse. O que não aconteceu. Foi em pé até o final da linha.
Apesar do horário de pico até que foi fácil tomar o metrô. Não deu para abrir o
livro e ler como quase sempre fazia. Não ligou, teria muito tempo para ler. No
Brás, no meio do empurra-empurra, entrou um cara falando alto, dizendo
gracinhas que só a turminha dele achava graça. Fez a baldeação na Sé sem
maiores preocupações. Apenas houve uma pequena aglomeração no Paraíso, mas sem
maiores conseqüências. Ao sair da estação Consolação, deparou com a beleza do
sol meio pálido tentando esquentar os prédios humanos. Tinha saído pelo lado
direito da estação, pois precisava passar na farmácia. E ao atravessar a Rua
Augusta, olhando para o lado dos jardins, a cena fotográfica que sua mente num
flash registrou, deixou-o alegre pela beleza e decepcionado por não estar com a
câmara digital. A parte de cima da rua, onde os prédios, por estar mais perto
pareciam agigantado, estavam na sombra, enquanto os que estavam ao longe, dando
a impressão de pequenos estavam iluminados pelo sol que batia de cima para
baixo e meio de lado, prolongando as sombras até o infinito da cidade. Olhou para
o lado do centro. Não era a mesma coisa, a mesma cena, apresentava certa
característica, só que mais escura. É pena, falou mentalmente enquanto
atravessava a Augusta. Na calçada do Conjunto Nacional, viu o cartaz de cinema
estampado no Center Três. Trazia em primeiro plano o ator Harrison Ford.
Lembrou do último que assistira e se convenceu que Hollywood não sabia mais
fazer filme dramático como antigamente. Hoje o que mandava eram as aventuras,
tiroteio, mortes e computação gráfica. É uma pena, falou mais uma vez
pensativo.
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