quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Acorde, vamos acorde!

 

Ouvia um miado longe, distante, mal conseguindo distinguir. Um miado meio arranhado que lentamente se aproximava até que chegou bem perto. Olhei o rádio relógio: quatro horas da madrugada. Que saco! Fui obrigado a levantar. Assim que abri a porta, Jhony Folgado entrou desembestado. Troquei a ração e ele se pôs faminto a devorar a comida. Observei a esganação do felino. Em seguida passou para a vasilha onde estava a água. Fiquei esperando, pois assim que terminasse sabia que sairia. Dito feito. Terminou de comer e beber se pôs feito um lorde em frente à porta como se dissesse: vamos abre a porta para mim. Obedeci claro. Foi quando vi na lavanderia meu sobrinho neto de quatro anos, isto é, pensei que fosse ele, mas na verdade era o filho do meu cunhado, irmão da minha mulher. Chamei o menino: “Gustavo”, não me respondeu. Mas como poderia ser o meu sobrinho, se ele estava com dezoito anos? Fui até lá. Ao entrar na lavanderia não tinha ninguém. Será que estou sonhando? Não dei pelota. Nisso escutei barulho de carro. Subi os degraus e vi o Fusca branco, todo amassado na frente e minha mulher saindo de dentro do carro. Com muita perícia ela estacionou o fusquinha num lugar bem exíguo que mal dava para ela e minha filha descer do carro. Tinham ido buscar a amiga na estação, pensei.

Voltei para dentro de casa. O gato continuava miando. Tentava acender a luz da cozinha e não conseguia. “Calma Jhony”, vou acender a luz  depois vou te dar comida.” Como não conseguia acender a luz, dei um murro no interruptor. De repente, eu estava na sala gritando ou, melhor, tentando gritar: Acorde, vamos, me acorde. E ao mesmo tempo minha boca foi se fechando, começando do lado esquerdo para o direito. Estava me sentindo sufocado. O peito angustiado. Se eu fizer barulho elas vão me acordar, pensei. Bati palma, bati nos móveis, e nada, ninguém acordava. E a boca cada vez mais fechada, já estava apenas sussurrando, acorde, me acorde, e nada. Não acordava e ninguém me acordava. De repente, como se levasse um susto, senti o peito abrir deixando o ar entrar. Acordei suado, o quarto no maior silencio. Suspirei aliviado, me acalmando. Olhei o rádio relógio, eram cinco horas. Faltavam ainda uma hora para levantar. Perdi o sono, não conseguia mais dormir. Bem feito quem manda assistir esses filmes bobos onde a personagem, mediúnica sonha com o que vai acontecer com ela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...